sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

Today is Trump's inauguration day



      I was reading this morning about Obama’s last phone call to a foreign leader: it was to Angela Merkel. I was moved and, at first, I didn’t know why.

    The other night I was reading on my kindle and thinking that I was a child who didn’t like computers. My brother would spend hours on our first computer and, by the age of eight, he had a better understanding of how it functioned than my parents did. Growing up, being surrounded by friends who loved computers as a teenager, I thought I could avoid the constant usage of them until I got my first notebook, and then it was gone: I, too, surrendered and am always on my computer since college years and surrounded by gadgets all the time: smartphone, mp3 player and e-reader. Maybe some others that I don’t even realize. The technology came here to stay and it’s in our daily lives in an unavoidable way. I remember the day I saw in an English class an article in a magazine saying something about a screen being developed to match readers needs and to fake the sensation (to one's eyes) of book pages. I was startled but also thought: "it’s silly. I’ll stick to books. There’s no need for that." The fact is I love stories, not only in the traditional book format, so I was wrong: I love my kindle. It helps me a lot and I have a lot of fun with it.

     I also remember that one of the first school projects that I was actually really excited to do was about the US, in second grade. I had to research a lot about the country. Bill Clinton was the president. I was not sure if I liked the country, but it was fun to make a lot of tiny US flags to the class and teach my classmates about the most important country in the world (when I was in second grade, the US was the most important country in the world beyond a doubt. Probably still is).

     When I was there, not liking technology and having my first contacts with the US politics, I was not concerned about feminism or race. It was probably in the last year of middle school that I realized my private school had a ridiculous amount of black people. Yet, I was not sure if there was anything wrong with that. If anyone told me that it was unlikely for a black person to be president of the most important country in the world, I wouldn’t understand why. I might even think that the person was being racist. Haha.

     But in high school and college, I opened my eyes. I started seeing how messed up things were and still are. They are so messed up that I would think I was going crazy for seeing so much racism and misogyny all around. It couldn’t be! How it took me so long to see that? So I thought for a while that I was being extremist and that my favorite feminist blogger was exaggerating. Turns out I was wrong again: she was right, the world is a mess. I didn’t realize before high school because I am lucky as fuck. That’s why! Pardon my French, but that’s the only way of not realizing it.

     It was really hard for a black man to be the president of the US. But I saw it happening and I was so happy and proud when it happened! I felt empowered even if in the Brazilian reality I am not black at all. But when Obama entered the White House, I thought: yes, we can!! It was very powerful and moving to me.

     I don’t really have a memory of having the same feeling about Angela Merkel. It was a woman getting an amazing job and being one of the world’s greatest leaders, but it didn’t have the same impact on me. Even if she was the main leader of such a powerful country as Germany, it didn’t seem so powerful because Germany is so completely different from Brazil that I didn’t think it was all that hard for her. It was only when she started to develop a strong leadership in the European scenario (which is a way more complex context than just her country, regarding women's situation) that I thought: wow, this woman rocks! Europe is not, I think, as progressive in general as Germany, so I realized I was witnessing something special there too. I was glad and started looking at her as an inspirational model too. I was thankful to her and pissed every time I read stupid comments in English-written newspapers about she being too stern or cold. I wondered if they would even bother to pay attention at the same treats in a male Chief of State.

    Obama didn’t accomplish all he wanted or all we expected from him. Yet, the simple and unimaginable fact that he was there every day being an amazing and progressive president was comforting and powerful. I really wish I could shake his hand some day say: hey, thanks, Barack! You’ve done an incredibly good job and inspired an entire generation all around the world!

     I thought these much-desired changes were here to stay, as it was with the technology. I still have hope of it being possible and of seeing in the future that we all can. When I read this morning that Obama’s last phone call to a foreign leader was to Angela Merkel I got melancholic as my hopes faded away. Maybe I will see in the future that we, women and black, can as much as white men can. But, for now, what I feel is that today is Mr. Trump’s Inauguration Day.

    “The music is over. Turn off the light.”
.
.
.
(But tomorrow we fight!)

quarta-feira, 29 de outubro de 2014

TED com Marcia Tiburi sobre filosofia (e redes sociais)

Hahahha (desculpem, eu tinha que rir)

Eu acho o Facebook um local de discussão complicado. Inclusive, durante o período eleitoral, tentei me informar o máximo possível através dele, mas me mantendo também afastada. Então, eu lia críticas ao governo e à oposição, a todos os candidatos e comentários sobre todos os debates, mas fazia isso com muito cuidado, e bem escondidinha. Na moita.

Eu tinha que encontrar textos muito tolerantes para ser capaz de ler, textos cujos autores conseguiam falar dos candidatos e de suas propostas sem demonizá-los, sem menosprezá-los. Cada vez que eu via um texto extremamente intolerante, eu tinha vontade de me isolar, e acabei não postando absolutamente nada por lá durante o período eleitoral. Eu estava só observando... [dois olhões do whatsapp]

E eu observei coisas absurdas, mas isso todo mundo observou. Eu não tenho como falar sobre isso trazendo nenhum elemento novo, todo mundo estava lá, todo mundo viu. Mas Marcia Tiburi, na apresentação abaixo do TED, fala sobre como a filosofia, o pensar dialético, encontra um espaço interessante nas redes sociais, exatamente pela possibilidade de trocas. Ela comenta também, brevemente, sobre como muita gente usa o Face apenas para jogar o seu discurso já pronto, sem nenhuma vontade de mudar de ideia, de trocar ideias. E nisso é que está o pior do face para mim: muita gente fica lá só se exibindo para os seus iguais, tentando se mostrar tão bonitão, tão democrático, quando na verdade já vai logo jogando pedras nos outros quando eles não são iguais, não é mesmo?

Cansei de ver pessoas esculhambando umas às outras, pessoas dizendo que tinham vergonha das outras, chamando de "petralha", chamando de "coxinha", com muito orgulho da própria forma de pensar e com toda aquela empáfia de deixar bem claro como são superiores, como se acham melhores que as outras, às vezes até dando aulinhas por aí.

Pois eu concordo muito com o que Marcia diz no vídeo sobre como a vergonha da gente (e a consequente vontade de mudar aquilo que a gente vê de errado na gente) é que nos leva a melhorar, a seguir em frente, a pensar criticamente. Porque, se eu já sou perfeita, para quê melhorar? Melhorar o quê, não é mesmo?

Pois eu tenho vergonha. E não é só vergonha alheia, não. (Essa eu também tenho, rs). Tenho vergonha, principalmente, dos meus próprios erros.

[Exemplo: é por ter vergonha do meu próprio machismo (não apenas daquele que eu vejo na sociedade, mas principalmente do que vejo em mim mesma) que sou feminista. Por ter os meus próprios demoninhos que preciso tentar melhorar. Será que é este o caminho do meio? Como me disse meu avô: in medio virtus. Preciso ser (feminista e muitos outros "istas") para melhorar a sociedade, mas principalmente para me melhorar. Eu não sou feminista para declarar uma guerra contra os machistas, por exemplo. Sou feminista para combater o machismo e, principalmente, aquele que está dentro de mim mesmo (só para deixar bem claro: eu não me considero uma pessoa machista. Mas, vivendo eu em uma sociedade machista, de vez em quando percebo merdinhas enraizadas na minha cabeça. Me choco, sinto vergonha e vou correndo pensar em uma pessoa melhor para eu ser).]

De quê serve publicar aaaaaltas coisas nas redes sociais se você não tem a menor intenção de mudar de ideia, de trocar ideias?  Estar aberto a mudar de ideia é ter a verdadeira vontade de diálogo.

***NÃO DEIXEM DE VER O VÍDEO!!!***



Obs.: Se você encontrar algum errinho, por favor, me avisa? :) Não tive tempo de revisar.

segunda-feira, 27 de outubro de 2014

Um pouco sobre exercícios

Resolvi fazer este post porque tenho comentado sobre esse tema com alguns amigos e quase todos parecem interessados ou estão em um processo pessoal parecido, então achei que valia um post...

Eu estava fazendo Pilates há 8 meses e adorando, mas o horário batia lindamente com meu horário de estudo. No momento mais produtivo do meu dia, eu tinha que parar tudo para ir pro Pilates, já que são aulas com hora marcada. Isso foi me aborrecendo, então pedi ao professor para mudarmos meu horário, mas infelizmente (para mim) o prof estava com todos os horários preenchidos, os únicos vagos eram exatamente aqueles em que eu tinha outras aulas. Então resolvi abandonar com uma dorzinha no coração...


Para não perder o que eu já havia conquistado (um pouco de condicionamento físico, flexibilidade e força), resolvi que realmente não poderia ficar parada. Inclusive, se eu quiser manter minha saúde enquanto estudo, vou precisar mesmo fazer exercícios. A minha intenção, portanto, é: manter a saúde e melhorar (muito) o condicionamento físico. Quero conseguir correr uma maratona! hehehe (É brincadeira, mas quero conseguir passar muito tempo em cima de uma bicicleta sem perder o fôlego, nadar, correr etc., mesmo que eu não vá ter muito tempo para estas coisas agora.) Enfim, quero que meu corpo seja o mais "funcional" possível.

Como o objetivo todo é a saúde, também quero diminuir doces e aumentar o consumo de água. Se der uma emagrecida, também, excelente! Mas não é o principal porque não quero que os exercícios passem a ser o meu foco no momento.

Para essas coisas, eu estabeleci umas metas e baixei um aplicativo para monitorar quanta água eu bebo por dia. Estou pensando em fazer mais dois posts, um sobre cada uma dessas coisas. Mas só vou fazer se vocês tiverem algum interesse em ler sobre isso! hehehe (Porque eu escrevo aqui sobre o que acho interessante, mas também não quero ficar falando sozinha!)

Quais os exercícios que vocês fazem e quais as conquistas que querem? Comenta aí!

domingo, 11 de maio de 2014

Projeto Mais Poesia: "AMAR"

AMAR
de Carlos Drummond Andrade
Que pode uma criatura senão,
entre criaturas, amar?
amar e esquecer,
amar e malamar,
amar, desamar, amar?
sempre, e até de olhos vidrados, amar?

Que pode, pergunto, o ser amoroso,
sozinho, em rotação universal, senão
rodar também, e amar?
amar o que o mar traz à praia,
o que ele sepulta, e o que, na brisa marinha,
é sal, ou precisão de amor, ou simples ânsia?

Amar solenemente as palmas do deserto,
o que é entrega ou adoração expectante,
e amar o inóspito, o áspero,
um vaso sem flor, um chão de ferro,
e o peito inerte, e a rua vista em senho, e uma ave de rapina.

Este o nosso destino: amar sem conta,
distribuído pelas coisas pérfidas ou nulas,
doação ilimitada a uma completa ingratidão,
e na concha vazia do amor a procura medrosa,
paciente, de mais e mais amor.

Amar a nossa falta mesma de amor, e na secura nossa
amar a água implícita, e o beijo tácito, e a sede infinita.
________________________________________________________________________________________

No processo... O poema está dentro. :)
Engraçado como uma poesia tem o poder de assumir diversos significados de acordo com a nossa experiência, com o momento que vivemos. Olhando para o poema inteiro, após a leitura inicial, vejo que, para mim (e é só sobre o que significa para mim que posso falar), ele parece falar sobre "a criação", o mundo, a vontade de viver e de ser feliz, amando.

Mas não foi isso que percebi da primeira vez que o li, depois de, numa sexta-feira à noite, ter comprado o presente do dia das mães da minha mãe. Fui ao "escritório" procurar um poema para escrever no cartão dela, que foi entregue hoje. Depois de pensar um pouco, fui na "Antologia poética" de Drummond, organizada por ele mesmo. O legal deste livro é que ele é dividido por temática, então fui direto nos poemas de amor para ver algum que parecesse falar sobre o meu relacionamento com a minha mãe. E, neste poema, vi esta mensagem sobre (novamente, minha interpretação!) amar errado e insistir, amar errado e querer continuar amando, exatamente porque se ama!

Com certeza, tenho diferenças em relação à minha mãe, mas uma coisa que nos faz iguais é o amor que sabemos que uma tem pela outra! <3

***FELIZ DIA DAS MÃES!***

*O Projeto Mais Poesia foi uma iniciativa da Juliana Gervason, do canal literário no Youtube e do blog O Batom de Clarice. Infelizmente, a Ju tirou o canal do ar, então não dá mais para ver o excelente vídeo em que ela propôs este projeto. Para ver o post que deu origem ao projeto aqui no Fora da Caixa, clique aqui.

sexta-feira, 25 de abril de 2014

Desafio Literário 2014 - Livrada

Oi pessoal! :)

Como alguns de vocês sabem, eu acompanho sempre alguns canais literários. O canal Cem Anos de Literatura fez um vídeo sobre o Desafio Literário do blog Livrada. Eu gostei da ideia do desafio, que em grande parte batia com o que eu queria ler este ano, e selecionei alguns livros para vir responder esta "tag". Quer me dizer os seus também? Aguardo nos comentários. ;)

Obs.: Fiz comentários extensos sobre os que achei que devia, e outros eu só citei. Se ficar com preguiça de ler os comentários, leia pelo menos o nome dos livros para compensar o trabalho que o post me deu! hahaha

O banner que o Yuri criou para o seu desafio.

1. Um clássico da literatura brasileira. Memórias Póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis. Estou querendo fazer uma leitura decente e completa (da primeira vez, não cheguei ao fim. Não sei a razão, pois estava adorando), já que acho que um livro "só termina quando acaba". #engraçadinha








2. Um clássico esquecido da literatura mundial. Antes de usar a cabeça de verdade, achei que ia ser difícil escolher um livro para esta categoria, mas depois me deu o estalo!, quase qualquer um da literatura italiana se encaixaria nesta categoria. Que tristeza... E pensar que ela é tão rica quanto, digamos, a francesa ou a inglesa... Então fui olhar na minha estante e na mesma hora peguei o Uno, nessuno e centomila (clique aqui para ler a resenha de um blog em português) de Pirandello. Verifiquei se o meu nível atual de italiano (outra tristeza! rs) daria para lê-lo e bati o martelo. Fiquei até com vontade de começá-lo de imediato, mas desisti porque ia atrapalhar o andamento das outras leituras.




3. Um livro do seu autor favorito. Vixe, nessa eu penei um pouco para escolher o autor, mas fiquei com Drummond mesmo, porque ele é o primeiro que vem à minha cabeça quando eu penso em "o favorito", apesar de já ter de-tes-ta-do um livro dele (aqui). Mas tudo bem, acho que isso é bom, fortalece o relacionamento! rs. Eu já disse algumas vezes aqui que adoro as CRÔNICAS do autor, mas resolvi que já estou bem velhinha então tenho que conhecer mais poesias dele, ora essa! Vou ler A Rosa do Povo ou Sentimento do Mundo para esta categoria.

4. Um livro de contos. Felicidade Clandestina de Clarice Lispector. Juro que um dia termino este livro. Estou com medo do conto "O ovo ou a galinha" e já estou empacada no "Legião Estrangeira"... Mas gostei da maioria dos que li até agora!

5. Um livro que não te foi indicado por ninguém. A Máquina de Fazer Espanhóis de Valter Hugo Mãe. Esse livro está até bem conhecido, mas ninguém me indicou, fiquei com vontade de ler por conta própria, então lerei assim que possível. Parece ótimo! ;)

6. Um livro com mais de 500 páginas. O Homem que Queria Salvar o Mundo de Samantha Power. Tem 583 páginas, sem contar com as notas (que adicionam 51 páginas e que eu também lerei). Sem comentááários!!!

7. Um livro de poesia. Perdoe-me tanto laquê de Juliana Gervason. Eu poderia ter encaixado este livro nas categorias "livro de uma autora" ou "livro que foi publicado pela primeira vez neste ano", mas achei que esta categoria aqui homenagearia a Ju, que eu adoro! Infelizmente ela retirou os vídeos do ar, mas leiam o blog O Batom de Clarice, vale muito a pena!

8. Um livro escrito por alguém com menos de 40 anos. Deu trabalho... Pensei em comprar o livro de contos (que sei que existe) de Anne Frank, mas achei melhor comprar algum em que eu estivesse muito interessada, então fui na minha lista (na "cabeceira" do blog) de livros desejados e escolhi O Céu dos Suicidas de Ricardo Lísias, 39 anos. xD Mas achei meio absurdo este critério da idade... rs.

9. Um livro escrito originalmente em um alfabeto diferente do seu. Eu tinha pensado primeiro em ler O Profeta, que eu tinha no tablet, mas ele queimou (eu estou tão triste com isso!). Este livro é do poeta árabe Khalil Gibran e eu já ouvi muitas pessoas (principalmente online) falarem bem dele. Mas, já que eu não o tenho mais (e não consigo ler por muito tempo no pc), vou colocar outra opção: A Dama do Cachorrinho e Outros Contos de Tchekhov.





10. Uma graphic novel. Retalhos de Craig Thompson. Está lá na lista de livros desejados, inclusive. Se alguém quiser me dar de presente, eu aceito até fora de época! rs

11. Um livro publicado pela primeira vez neste ano. Não sou muito informada sobre as novidades, quando eu descobrir um que eu queria realmente ler volto aqui e atualizo o post. :)

12. Um livro de não-ficção. Hohoho, Era dos Extremos de Eric Hobsbawm, que eu já estou lendo e é simplesmente maravilhoso. Leiam!

13. Um volume de alguma trilogia ou série. Acho que esta é outra categoria em que eu vou roubar legal, rs. Mas vejam se acham que é roubo: O Hobbit de J. R. R. Tolkien. Talvez seja roubo porque a série mesmo é o Senhor dos Anéis, mas este livro é um prelúdio para aquela série, então... Conta, né? Eeeee eu já estou lendo, então vai ser ele mesmo! hehehe

14. Um livro que algum amigo te enche o saco para ler. A-haaaa! rs Esse aqui muita gente me enche o saco para ler! Taís, Adson, Carol, Alê e Painho, um beijo para vocês! hahaha É A Insustentável Leveza do Ser, de Milan Kundera. Na verdade veeeerdadeira, todas elas me indicaram, mas nenhuma dessas pessoas "me enche o saco" para lê-lo, rs. Algumas delas já insistiram bastante e eu lerei ele este ano! .... A menos que eu não possa, por algum motivo...! rs

15. Um livro escrito por uma autora. Morte Súbita de Rowling ou De Amor e De Sombra de Isabel Allende. 

segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

Projeto Mais Poesia: "Hombre que mira la luna"

Seguindo com as nossas poesias, mais Benedetti:



HOMBRE QUE MIRA LA LUNA

Es decir la miraba   porque ella
se ocultó tras el biombo de nubes
y todo porque muchos amantes de este mundo
le dieron sutilmente el olivo

con su brillo reticente la luna
durante siglos consiguió transformar
el vientre amor en garufa cursilínea
la injusticia terrestre en dolor lapizlázuli

cuando los amantes ricos la miraban
desde sus tedios y de sus pabellones
satelizada de lo lindo y oía
que la luna era un fenómeno cultural

pero si los amantes pobres la contemplaban
desde su ansiedad o desde sus hambrunas
entonces la menguante entornaba los ojos
porque tanta miseria no era para ella

hasta que una noche casualmente de luna
con murciélagos suave   con fantasmas y todo
esos amantes pobres se miraron a dúo
dijeron  no más  al carajo selene

se fueron a la cama de sábanas gastadas
con acre olor a sexo deslunado
su camanido de crujiente vaivén

y libres para siempre de la luna lunática
fornicaron al fin como dios manda
o mejor dicho como dios sugiere.

____________________________________________________________________________________


Pessoal, vou fazer assim: vou colocar sempre algum comentário que eu queira fazer também sobre a poesia aqui e vocês comentam embaixo o que acharam, tá?

Bom, percebi com esta poesia que eu realmente não preciso entender todo o significado do texto para poder apreciá-la. Realmente não entendi tudo que tem aí em cima. Isso, no começo, era uma coisa que me afastava desse gênero literário, eu não gostava desta sensação de não entender, me sentia burra... Mas isso vem mudando já há algum tempo e, com este poema eu percebi muito claramente que isso não deve mais ser um problema para mim....


Em primeiro lugar, porque tem muitas palavras do espanhol que eu não conheço (óbvio), e em segundo porque mesmo as que eu conheço às vezes parecem estranhas no contexto, e isso pode ser porque poesia às vezes faz isso mesmo, ou porque eu não entendo o significado completo da palavra na língua.

Uma coisa que eu acho legal no espanhol é esta proximidade que permite que a gente leia (e entenda) mesmo sem ter estudado por muito tempo. Infelizmente, não consigo ler muitas poesias em italiano ou inglês, porque a língua é muito diferente e eu fico na dúvida se a dificuldade é com a língua em si ou com aquilo que o autor quis dizer (poeticamente).

De qualquer forma, mesmo entendendo bastante o espanhol, eu acho até gostoso não entender tudo, porque sei que quando eu estudar mais a língua vou ganhar mais vocabulário e a poesia vai ganhar novos significados para mim.


Muitas vezes, quando se fala sobre livros, principalmente sobre clássicos, se diz que os livros ganham com as releituras (ou melhor, que o leitor ganha...). Portanto, é óbvio (mas não era antes! rs) que isto é potencializado quando o livro não está na sua língua materna. E eu já tenho certeza que este livro é um dos meus clássicos, adoro, adoro e adoro! <3 

terça-feira, 14 de janeiro de 2014

Os 5 (ou 6...) melhores livros de 2013



Eu li: Vidas Secas, de Graciliano Ramos.
Porque gostei: retrata um modo de vida que eu só conhecia pelo ponto de vista de jornalistas e editores. Os personagens são fictícios, mas o sentimento, que é verdadeiro, me mostrou um pouco mais que, às vezes, pessoas são humilhadas simplesmente por serem pobres.
Me deixou com vontade de ler: Grande Sertão: Veredas, de Guimarães Rosa.
E de reler: Morte e Vida Severina, de João Cabral de Melo Neto.




Eu li: Extremamente Alto & Incrivelmente Perto, de Jonathan Safran Foer.
Porque gostei: Não tem como não se afeiçoar a Oskar, o narrador do livro. Você vai se emocionar com todas as questões dele, do enredo de sua avó até as amizades que ele faz buscando entender melhor o pai, que morreu no atentado de 11 de setembro.
Me deixou com vontade de ler: Everything is Illuminated, do mesmo autor.
E de ver: A adaptação para o cinema, que dizem que também é boa. 




Eu li: Asterios Polyp, de David Mazzucchelli.
Porque gostei: este livro foi praticamente a minha introdução ao mundo das HQs (Histórias em Quadrinhos), e isso já seria motivo para eu adorá-lo! Mais para frente, farei um post sobre este assunto, mas voltando ao livro... O traço (desenho) de Mazzucchelli é lindo, superdetalhado e, apesar de Asterios ser um excêntrico arrogante, a gente percebe que ele é um personagem "esférico" (hehe olhem a cabeça dele!) e merece ser feliz. Também gostei muito do poquinho que aprendi sobre estética com esse livro.
Me deixou com vontade de ler: Daytripper, de Fábio Moon e Gabriel Bá.







Eu li: A Christmas Carol (Um Conto de Natal), de Dickens.
Porque gostei: Pelos outros livros, já percebi que gosto muito das leituras reflexivas que faço, ou talvez eu que reflita bastante sobre elas... Eu adorei esta história porque ela renova a nossa vontade de acreditar que o ser humano pode ser melhor e a história é linda! Se você sabe inglês suficiente, leia na língua, Dickens é um clássico e achei muito gostosa a leitura, pretendo continuar com o autor em 2014.
Me deixou com vontade de ler: Todos os outros contos de Natal do Dickens e, quem sabe, outras obras dele também depois. E ganhei de presente de Natal A Christmas Carol and Other Christmas Writings! <3


Eu li: Roube Como um Artista, de Austin Kleon
Porque gostei: Acho que já expliquei o suficiente na resenha que fiz aqui. O livro nos deixa muito cheios de inspiração para pôr a nossa criatividade para trabalhar e conseguirmos realmente nos expressar.
Me deixou com vontade de ler: Como Mudar o Mundo, de John-Paul Flintoff. Acho que este será o próximo livro com que terei vontade de presentear todo mundo! =) Quando, e se, isso acontecer, eu aviso por aqui! Também fiquei com vontade de ler livros sobre artes, mas isso já é outra história...


___________________________________________________________________________________
BÔNUS!! (hahaha sou muito besta) Eu vi várias pessoas dizendo, digamos, os 10 melhores livros do ano internet afora. Mas não acho que eu tenha um volume de leitura tão grande para tanto, então resolvi fazer 5, mas acabaram saindo 6! :) Quem sabe em 2014 eu não consigo fazer 10?



Eu li: As Intermitências da Morte, de José Saramago
Porque gostei: Adorei o humor discreto deste livro, achei linda a personagem da morte e quero, inclusive, reler este livro no futuro, quando eu me sentir realmente acostumada com a escrita do autor.
Me deixou com vontade de ler: Outros livros do autor em geral, e Ensaio sobre a Cegueira em particular. Eu já queria ler este livro antes, mas agora já sei que a escrita diferente do autor não será (um grande) empecilho. Mas não deve ser o próximo livro que lerei dele, porque quero estar muito familiarizada com a escrita dele quando chegar a Ensaio. Alguma sugestão para o próximo? :)

sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

Tag: Livros e Blablablá.

Vi esta tag pela primeira vez no canal da Tati Feltrin (veja o vídeo dela aqui), mas foi a Patrícia Pirota (veja o dela também aqui) que me fez lembrar de respondê-la.



Perguntas:

1. Você já leu algum livro que mudou sua maneira de ver o mundo? Vou citar só um: "Pollyanna", de Eleanor H Porter. Ele até tem uma sequência, mas não terminei de ler (a sequência) porque estava um saco. Deixei para lá e quando pensava em lê-lo já mais velha desistia porque o enredo era muito infantil... Mas talvez valesse à pena fazer essa leitura porque o primeiro realmente mudou a minha maneira de ver o mundo: me fez entender que a gente poderia mudar pra melhor a nossa própria vida simplesmente tentando olhar os fatos pelo melhor ângulo, principalmente quando não temos o controle de algo (por isso acho tão interessante este livro ser infantil! Se eu tiver filhos, com certeza vou obrigá-los a ler sugerir a leitura!)

2. Você gostaria que seus diários (ou suas memórias - para quem nunca escreveu um diário) fossem transcritos em um livro e publicados? Existe este mito, né? Já vi muita gente repetindo por aí, como se fosse fato, que toda pessoa que escreve diário, no fundo, no fundo, quer que ele seja lido por toda a humanidade. ¬¬ Incrível como tem dono da verdade no mundo, né? Pois os meus olhos chegam a faiscar só de pensar em alguém lendo uma parte não autorizada de um diário meu! É verdade que, dependendo da coisa, eu mesma mostro a algumas pessoas, mas duvido muito dessa "verdade universal" e, não, eu não gostaria que eles virassem livros!


3. Qual é o seu maior medo no universo literário? Acho que de ler alguma coisa muito horrível que me deixe assustada demais, com algum tipo de síndrome do pânico. Mas morria de medo de ler Lolita, de Nabokov, tinha medo de ficar traumatizada, ou sabe-se-lá mais o quê, e não fiquei. O mote do livro, por si só, já me dava um embrulhinho no estômago. Já li, não gostei muito, sei que a culpa foi minha (analisei demais o livro, em vez de curtir a história), mas não tenho vontade de dar outra chance a ele. Talvez beeem lá na frente... Outro medo é que as "continuações" que Rowling vai fazer de HP sejam péssimas, rs.


4. Qual livro você leu e gostaria de ler novamente? Todos os bons! hahaha O Diário de Anne Frank (seria a quarta -?- releitura), Um Dia, de David Nicholls (resenha aqui), Guerra dos Tronos, de George Martin, todos os HPs, O dia do Coringa, de Jostein Gaarder... Enfim, muitos! ;)


5. Você considera algum livro da sua coleção como um troféu? (Foi difícil de conseguir ou foi uma conquista, um presente de alguém muito querido... etc.). Siiim, o "10 años con Mafalda" que meus pais me deram de presente quando vieram de viagem! Ganhei este livro depois de desejar por muito tempo o "Toda Mafalda", que é simplesmente caro demais para mim. Esse dos 10 anos me fez feliz o suficiente, não preciso de toooodas as tirinhas dela! hehehe Fiquei muuuito feliz quando ganhei! :)


6. De qual festa ou comemoração que aconteceu nos livros que leu gostaria de ter participado? Dizendo o óbvio: alguma das comemorações das taças da Grifinória. Fora isso, os livros que eu leio não têm muitas festas... Será que estou lendo os livros errados? rs Acho que preciso ler uns mais animados! ;D Vou ler O Grande Gatsby só por causa desta pergunta! :P #sqn


7. Você já sofreu algum tipo de bullying literário por causa de alguma obra que você gosta? Não exatamente... Mas fui considerada uma pessoa esnobe por desconhecidos durante boa parte dos Ensinos Fundamentais e Médio, simplesmente por gostar mais de ler do que, digamos, fofocar e paquerar. Nada contra fofocar e paquerar, claaaaro! hahaha


8. Você já participou ou conhece algum grupo de leitura? Já participei sim! Fiz tipo um clube com mais duas lindas amigas algumas vezes na faculdade, mas não durou muito, provavelmente porque eu não tenho muito saco de continuar lendo um livro quando estou achando chato... Mas também porque a vida é corrida, porque nem sempre a intenção era falarmos sobre os mesmos livros... Era muito legal, já faz um tempinho isso, deu uma nostalgia...! <3


9. Se você tivesse que dividir sua alma em 7 livros, quais seriam? Horcruxes? Que legaaal! rs

1- HP e a Pedra Filosofal, representando todos os HPs;
2- O Diario de Anne Frank. Acho que já falei algumas vezes nesse bloguinho que eu sou apaixonada pelo diário;

3- A Garota das Laranjas, de Jostein Gaarder (autor d'O Mundo de Sofia).
4- De las cosas maravillosas, de Adolfo Bioy Casares.
5- Extremamente Alto & Incrivelmente Perto, de Jonathan Safran Foer;
6- Moça Deitada na Grama, de Drummond.
7- El amor, las mujeres y la vida, de Mario Benedetti.

10. Se você tivesse o poder, qual personagem de qual livro mudaria, ressuscitaria ou faria desaparecer? Não vamos mais falar de Harry Potter, tá bom? Rs Se você também for fã dele, consegue pensar por si só nos personagens que eu ressuscitaria, mas o personagem que eu ressuscitaria em outro livro... é um spoiler! Então, eu vou colocar abaixo o nome, é só clicar em "continuar lendo". Mas não diga que eu não avisei!



quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

Projeto Mais Poesia

    Eu não sou a maior leitora de poemas, confesso. Mas, de vez em quando, eu gosto de ler algo assim. Nos caminhos da poesia, ainda tenho muito o que descobrir. Sabendo que tem muita gente igual a mim, com essa vontade de colocar mais poesia na rotina, decidi que, a partir deste ano, vou tentar dividir um ou dois poemas por semana com vocês, escolhendo algo do autor que eu estiver lendo.

    Minha fonte de inspiração para este "projeto" foi o canal e o blog de Juliana Gervason, O Batom de Clarice, que, apesar de não ter levado o projeto adiante, deixou um gostinho geral de "quero mais". Estou mencionando o projeto apenas para deixar clara a inspiração, mas não vou fazer um marcador separado para isto, já que aqui no blog já existia um marcador "poesia". Quem quiser procurar todos os post relacionados a isso no futuro, pode ir neste mesmo marcador.


    O que eu estou lendo atualmente (e já há muito tempo, quem acompanha o blog está cansado de ver esse livro aqui! hahaha) é "El amor, las mujeres y la vida", de Mario Benedetti.

    Tentem ler mesmo sendo em espanhol, não é tão difícil quanto parece! Abaixo, um poema dele, que eu li esta semana e do que gostei muito:

LOS FORMALES Y EL FRÍO

Quién iba a prever que el amor   ese informal
se dedicara a ellos   tan formales

mientras almorzaban por primera vez
ella muy lenta y él no tanto
y hablaban con sospechosa objetividad
de grandes temas en dos volúmenes
su sonrisa   la de ella
era como un augurio o una fábula
su mirada   la de él   tomaba nota
de cómo era sus ojos   los de ella
pero sus palabras   las de él
no se enteraban de esa dulce encuesta

como siempre   o como casi siempre
la política condujo a la cultura
así que por la noche concurrieron al teatro
sin tocarse una uña o un ojal
ni siquiera una hebilla o una manga
y como a la salida hacía bastante frío
y ella no tenía medias
sólo sandalias por las que asomaban
unos dedos muy blancos e indefensos
fue preciso meterse en un boliche

y ya que el mozo demoraba tanto
ellos optaron por la confidencia
extra seca y sin hielo por favor

cuando llegaron a su casa   la de ella
ya el frío estaba en sus labios   los de él
de modo que ella   fábula y augurio
le dio refugio y café instantáneos

una hora apenas de biografía y nostalgias
hasta que al fin sobrevino un silencio
como se sabe en estos casos es bravo
decir algo que realmente no sobre

él probó   sólo falta que me quede a dormir
y ella probó  por qué no te quedás
y él   no me lo digas dos veces
y ella   bueno por qué no te quedás

de manera que él se quedó   en principio
a besar sin usura sus pies fríos   los de ella
después ella besó sus labios   los de él
que a esa altura ya no estaban tan fríos
y sucesivamente así
                               mientras los grandes temas
dormían el sueño que ellos no durmieron.


    Obs: "boliche" em espanhol é quase um "cassino" para nós. No meu dicionário diz que é um "estabelecimento dedicado aos jogos de azar".

    =) é lindo, não é? O que eu gosto nos poemas dele, é que ele conta uma história inteira, é quase como ler um conto, então realmente deve ser quase uma "poesia para iniciantes". Fico morrendo de vontade de conhecer a prosa dele. Eu tenho um livro, devo ler este ano, aí volto e conto alguma coisa. O que vocês acharam? Gostaram da ideia?

terça-feira, 31 de dezembro de 2013

Linklove {7} da virada: os melhores links do fim do ano!

Os melhores links da última semana de 2013:

Do The Ruche Blog

****FELIZ 2014!!!****