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quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

"Roube Como Um Artista" de Austin Kleon

Taís me emprestou esse livro, depois de dizer muitas vezes que era incrível e que todo mundo deveria lê-lo. Para aumentar minha vontade, Ale Garattoni fez um post sobre ele, com este título peso-pesado,que me deu ainda mais vontade de pegá-lo logo para ler!

Realmente o achei incrível, li em poucas horas, o que é muito diferente do meu normal, mas o livro é bem pequenininho, eu deitei na cama em um domingo preguiçoso e o li à tarde, foi uma delícia! Foi sobre ele que falei no último post, dizendo que já "revolucionou a minha forma de blogar" hehehe. Enfim, acho que o livro fala por si só, então peguei o nome de alguns capítulos (que já são mini-dicas) e dei um pitaco. Eu sei que isso não é uma resenha padrão, por isso que chamo de resenha livre, tá? Já tenho outros dois posts com conteúdo "roubado" deste livro, então ainda vou falar mais dele por aqui. Espero que aproveitem as dicas do autor Austin Kleon e meus comentários abaixo! Beijos!
  1. "Não espere até saber quem você é para começar": Para mim, esta é a mais importante, porque tira a gente da inércia criativa. Como você pode ter uma identidade própria nas artes, na escrita (etc), se você não pratica? A identidade se forma no caminho.
  2. "Escreva o livro que você quer ler": Divirta-se! Se você não fizer isso enquanto escreve, pinta, fotografa é pouco provável que as outras pessoas sintam algo interessante pela sua "obra"!
  3. "Use suas mãos": Isso significa que você deve sair da frente do computador! Uma coisa muito pertinente que ele diz é que "o computador estimula o perfeccionista perturbado em nós". Realmente, tenho que admitir que a tecla "delete" é muito castradora. Deve ser por isso que tantos fotógrafos optam por câmera analógica: pela surpresa, pela diversão e pelo lúdico da dúvida...
  4. "Projetos paralelos e hobbies são importantes": Vá ver o mundo, aproveitar a vida! Tenha inspiração. As experiências sensoriais que você vive são importantes, então vá ver filmes, ouvir músicas, passear e depois venha fazer um comentário bem inspirado aqui no post! Hehehe Hobbies e diversão em geral são coisas importantes por tirar você do seu "ambiente comum" e te permitir aliviar a pressão do cotidiano.
  5. "A geografia não manda mais em nós": Inspire-se! Com a internet, podemos estar onde quisermos, temos muitas fontes de inspiração diferentes. Pesquise o que te interessa!
  6. "Seja chato (é a única maneira de terminar um trabalho)": Ele diz que manter uma rotina é importante para a criatividade. E é mesmo! Se a prática leva à perfeição, mantenha uma rotina que te permita praticar!

domingo, 10 de março de 2013

"Um Dia" de David Nicholls

   Este livro eu também li ano passado, gostei bastante. Achei uma história bem "vida real": dois amigos que dormem juntos uma noite e depois passam anos sendo só "bons amigos". Mas eles nutrem sentimentos bem especiais um pelo outro (quem nunca?) e nós acompanhamos vinte anos das suas vidas, "nos reencontrando" com eles todo dia 15 de julho, grande sacada! A história começa em 1988 e vai até 2007, então o autor, David Nicholls foi muito feliz com esta ideia, porque nós conseguimos ver o desenvolvimento da história e as nuances dos caráteres dos dois personagens e dos relacionamentos deles com outras pessoas, sem que o livro fique cansativo. Quem tiver mais de 40 anos talvez até se emocione com algumas referências "de época" no começo do livro, afinal Emma e Dexter têm mais ou menos 20 anos em 1988. Você vai torcer por eles e, *NÃO É SPOILER* no fim do livro, vai ter muita, muita raiva do autor... Mas é assim que a vida é.

   Fiquei louca para reler o livro, inclusive porque eu li ele em inglês e apesar de (em geral) ter ficado feliz com a minha compreensão dele, depois quero entender tuudooo. Além disso, como fala-se do amadurecimento dos personagens, aposto que tem coisa que eu só vou entender quando amadurecer mais.

   Se você for mulher, prepare-se para sentir muita raiva de Dexter. Mas aposto que, se for homem, vai rolar uma camaradagem masculina e você vai achar ele um cara legal. Mas não o tempo todo. Acho que Dexter é um anti-herói na verdade porque ele faz muita merda! E não, isso não foi spoiler porque todo mundo faz merda na vida hahaha, e eu não disse QUAIS as merdas que ele faz.

   Emma é super-fofa, quero muito ser como ela quando eu crescer. Segundo Guilherme, estou no caminho certo porque bem no primeiro capítulo ela tem uma conversa bem viajada com Dexter em que ela fala coisas sobre o que vai acontecer no futuro. O engraçado é que ela fala sobre essas coisas com muita "certeza". Enfim, me identifiquei muito com Emma. :) Leiam o livro, ele é emocionante, engraçado e, apesar dessas coisas que eu disse, é um livro leve e alegre.

   Se você ainda precisa de mais motivos para ler este livro AGORA, saiba que várias das minhas amigas o leram em apenas *dãn!* Um Dia. kkk Sério, ele é tão bom que elas engoliram o livro. Eu demorei beeem mais porque quis ler em inglês (Não é porque sou metida, é porque se eu não praticar nunca vou ficar boa, né?). Dei 5 estrelinhas no GoodReads. Se precisa de mais incentivo ainda, veja o que um jornal britânico (o Daily Mirror, mas isso não vem ao caso, vários outros como o Times e o Guardian fizeram críticas positivas) disse sobre ele (com o que eu concordo inteiramente):
[Nicholls] has both a very deft prose style and a great understanding of human emotion. His characterisation is utterly convincing... One Day is destined to be a modern classic.
O meu livro tem a imagem deste poster na capa.
[Observação absolutamente irrelevante: Drummond (meu gato) era menor quando eu estava lendo este livro e estava com os dentinhos crescendo. Saí do quarto um instante e quando eu voltei ele tinha usado  um pedaço da capa do livro de mastigador! Ai, meu estômago gelou... Que dó que me deu! :'( ]

    Agora, sobre o filme...
"Nunca julgue um livro pelo filme." A foto é daqui. Eu peguei aqui.
Ô, que frase mais certa! Infelizmente, achei o filme bem inferior ao livro. E não é aquela birra clássica de que faltaram cenas não, nisso até achei ele bem fiel. Mas acho que deixou a desejar muito em relação ao clima geral do livro. O livro é bem alto astral, esperançoso (apesar de você-que-já-leu,sabe-o-quê). Já o filme, quando acabou, Guilherme ficou com aquela cara de "Por que você faz isso comigo? :'( Eu gosto de ser uma pessoa feliz!" kkkkk Sério, foi tenso, rs. Eu fiquei olhando para a cara dele e disse: "Poxa, o livro é tão melhor..." Mas óbvio que depois de um filme  (triste, trágico) desses, eu nunca conseguirei fazer o bichinho chegar perto do livro. Pois é, "never judge a book by its movie"...

Para quem, ainda assim, se interessou pelo filme (ha ha) ou já leu o livro e não vai perder a oportunidade de ver o filme (apesar da minha chatice), fica aqui o trailer:

[P.S.: Taís, eu não coloquei a "quebra de página"! Não ficou enorme, não? Vocês, outros leitores, preferem quando tem que clicar para ver o texto todo ou quando o texto fica enorme na página principal do blog? Comentem! :D]

quarta-feira, 6 de março de 2013

"Terra Sonâmbula" de Mia Couto

     Mia Couto é amor, minha gente! <3


"Prazer, Mia Couto. Sim, eu sou homem." rs E eu, Luciana, já me arrependi de não ter ido autografar meu livro na Fliporto :(


   Eu li este livro no fim do ano passado e achei incrível, eu nunca tinha lido nada igual. O que eu mais gostei disparado foi da linguagem de Mia Couto, bem diferente. Me lembrou um pouquinho Drummond enquanto cronista, mas o Mia Couto não esconde de ninguém que o escritor brasileiro que mais o influenciou foi Guimarães Rosa. Quanto aos personagens, me apeguei ao menino Muidinga, achei ele meigo, achei bonito o relacionamento que ele constrói com Tuahir. Gostei também que a única fonta de "literatura" disponível para os dois é vista de forma tão positiva, uma forma de consolo em uma realidade tão dura.

   Quanto à escrita dele, é bem cheia de neologismos. Acho que esta é a marca principal que nos faz distingui-la. Mas ele não faz trocas banais de sufixos, como eu já vi por aí... Ele cria palavras, pelo que lembro, principalmente por fusão: obtém uma terceira que agrega o significado das anteriores e, às vezes, ainda dá a impressão de ser mais expressiva do que uma simples soma das duas. Enfim, uma coisa difícil de explicar assim, sem dar exemplos. E eu não quero procurá-los também porque fora do contexto em que são usadas, estas palavras não ficam a mesma coisa. A linguagem é tão gostosa que, se a história fosse chata, ainda assim, seria uma delícia de se ler. Fiquei com vontade de ler mais coisas de Mia Couto e também (de verdade, porque na escola li bem "safadamente" xD) "Primeiras Estórias" de Guimarães Rosa.

   Resumindo bastante (só para deixar vocês com vontade), Terra Sonâmbula conta a história de dois sobreviventes da guerra (civil, creio), o velho Tuahir e o menino Muidinga, que na verdade não se chama assim, ele foi batizado assim por Tuahir, que o resgatou e protegeu enquanto ele estava doente. A partir daí, os dois buscam continuar vivos e chegar a algum lugar seguro, mas, no caminho, também precisam descobrir quem são, e o relacionamento deles (que também está sendo construído) é importante neste processo. O livro é descrito por vários sites (dá um google) como um dos 12 livros africanos mais importantes do século XX (foi publicado em 1992).

   Interessante como acompanhar por tão pouco tempo esses dois personagens principais te mostra umas coisas sobre uma realidade tão distante da nossa. O autor não fica explorando a situação social africana, ela realmente não pode ser considerada personagem da trama, é apenas um pano de fundo mesmo. Mas eu me senti mais informada depois de ler o livro, mais "cidadã do mundo". Aliás, essa é a graça de ler, né não? Viajar sem sair do lugar. Eu queria partilhar com vocês dois trechinhos que eu li em um outro livro (que eu estou lendo para a monografia) sobre a situação da África. [O trecho era comparando a Índia com a África Subsaariana, mas o que eu quero é mostrar como isso (que foi escrito em 1999!) continua, infelizmente, tão atual:]
"Desde a independência, a Índia tem estado relativamente livre dos problemas da fome coletiva e também da guerra prolongada e em grande escala, problemas que periodicamente assolam numerosos países africanos. (...) Ademais, muitos países da África subsaariana têm tido experiências de declínio econômico -- em parte relacionadas a guerras, agitação e desordem política -- que dificultam particularmente a melhoria dos padrões de vida."
"A África também sofre com um ônus muito maior da dívida externa, que hoje é colossal. Há ainda a diferença advinda do fato de que os países africanos têm sido muito mais sujeitos a governos ditatoriais (...)."
[Do livro "Desenvolvimento como Liberdade" de Amartya Sen, Companhia das Letras. Edição de Bolso nas páginas 140 e 401.]

Voltando ao livro... Só para dar um gostinho, aqui vão algumas das minhas citações favoritas:
  1. "E ao ouvir os sonhos de Tuahir, com os ruídos da guerra por trás, ele vai pensando: 'não inventaram ainda uma pólvora suave, maneirosa, capaz de explodir os homens sem lhes matar. Uma pólvora que, em avessos serviços, gerasse mais vida. E do homem explodido nascessem os infinitos homens que lhes estão por dentro'." A minha preferida é esta. É a parte mais legal que eu lembro de já ter visto em um livro.
  2. "Ali ficou, mais grave que oração. Uma vontade me levava para ela, eu queria conhecer sua tristeza. E havia naquele corpo uma viuvez prematura que não provinha de morte falecida mas de desatento abandono de si. No momento me ocorreu colher flores selvagens e colocar nos pés do monumento. Só então a mulher ergueu os olhos, uns enormíssimos olhos que eu já havia visto em algum lado. Me contemplou um infinito. Depois voltou a entrar no negro de suas vestes, no abismo de seu silêncio. Acabei me retirando, intrigado. Em mim teimava a presença daquela mulher."
  3. "Afinal que moral era a dele? O administrador contrargumenta: ninguém vive de moral. Será, cara esposa, que a coerência lhe vai alimentar no futuro?"
  4. [Parte da resposta da esposa:] "Você, Estevão, é como uma hiena: só tem esperteza para as coisas mortas." p. 168-9.

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

"Django Livre" de Tarantino

ATENÇÃO: Eu fiz uma atualização no post dos filmes de fevereiro, coloquei um filme a mais e o link deste post.

ATENÇÃO 2: Se você ainda não viu o filme, PODE LER MESMO ASSIM! Na hora que eu vou dar spoilers eu faço o maior alarde avisando! rs

****
   Para começar, o filme ganhou dois Oscars merecidíssimos: melhor ator coadjuvante pela perfeita atuação de Christoph Waltz, e Tarantino se consolou com o de Melhor Roteiro Original. Digo que "se consolou" porque perdeu o de Melhor Filme, mas a outra também é uma categoria muito digna, diz que a história do seu filme é boa. Sinceramente, achei até bom que ele não ganhou no fim das contas, assim ele não se acomoda e tenta ganhar depois os Oscars mais importantes, rs.

Mas é simpático, né!? =D

   Sinto muito por não ter postado esta resenha antes porque acho que valia muito a pena tê-lo feito, para dar tempo de vocês verem no cinema. Acredito que os filmes de Tarantino são do tipo que realmente precisam ser vistos na telona. Em casa  tudo parece simplesmente bruto demais, dá a impressão que não tem motivo para tanto sangue... Estranho isso, né? Deveria ser o contrário, já que fica ampliado no cinema. xD Eu lembro que fui assistir a Bastardos Inglórios na tv depois de ter visto no cinema e não se comparava. Claro, tem quem consiga aproveitar igualmente a experiência...


   A história do filme se passa alguns anos antes da Guerra de Secessão, a Guerra Civil Americana, e o filme utiliza a questão social (e política) da guerra como parte da trama e não como simples panorama histórico.  Isto porque você não vê a questão da escravidão de um ângulo afastado enquanto um ex-escravo busca "vingança". Não. A história é construída de um jeito que você ache que a vingança é extremamente legítima e merecida. ***PEQUENOS SPOILERS***(isto significa: pule o fim deste parágrafo se você ainda não viu o filme): a vingança contra os três irmãos feitores no começo do filme é massa, mas não acho que poderia ser chamada de "vingança" mesmo. Afinal Django já teria que matá-los de qualquer jeito, era o seu "novo trabalho". Mas, claro, nós sabemos muito bem por que ele aceitou o trabalho... ;) Já a do fim é realmente uma vingança, mas eles limpam a barra das pessoas que não tinham a ver com a situação toda lá na fazenda e, assim como em Bastardos Inglórios, fazem a gente vibrar quando um monte de gente ruim junta é explodida (Tá bom, a casa explode já quase vazia, mas eu estou falando do poder simbólico e catártico).

O cartaz mais legal do filme!

A filmagem é muito interessante! A fotografia é linda, mas massa mesmo é ver os closes! Até eu, que quase não vi "faroestes" na minha vida, consegui perceber a estética western dos enquadramentos! Mas, como se passa no sul dos Estados Unidos, Tarantino chamou de southern. Além da filmagem, dá para perceber algumas outras características de filmes faroeste, mas acho melhor não falar muito disso, não quero estragar o filme de quem ainda não viu...




   Gostei das atuações do filme, mas acho que Leonardo DiCaprio e Christoph Waltz chamam muito mais atenção do que os atores principais. Samuel L. Jackson está impagável (e quase irreconhecível)!  Também chama mais atenção que Foxx, mas não vou dizer mais nada sobre os personagens, vale a surpresa! Eu sei que andam dizendo (há muito tempo) que DiCaprio subiu no conceito geral, mas eu não vejo muitos filmes dele... No entanto, neste, o vilão está muito odioso, você fica torcendo para ele sofrer hahaha. Ou seja, o vilão não tem um lado cômico, como é comum nos filmes de Tarantino. (ops, falei mais sobre os personagens! rs)

   Inclusive, eu tinha escutado uma crítica de que o filme tratava de "forma leviana" um tema sério como a escravidão, mas não concordo de jeito nenhum! O personagem de DiCaprio mostra isso. Talvez o fato de ser um filme "tarantinesco", com o típico "exagero estético" (porém não tão grande aqui) e com cenas engraçadas tenha dado a impressão errada, mas essa parece a opinião de alguém que não viu realmente o filme. Eu não me lembro de nenhuma morte de negro ser levada na brincadeira, enquanto os frequentes assassinatos de homens brancos pró-escravidão vem com uma roupagem vingativa. Óbvio também está que eu não estou dizendo que tudo bem eliminar brancos! Eram pessoas ESCRAVISTAS, portanto aplica-se, a meu ver, a mesma ideia de Bastardos Inglórios, em que o alívio proporcionado pelo filme vem da sensação de (contrafactual, felizmente) vingança histórica. "Felizmente" porque já basta de tudo isso, né? Ninguém quer genocídios, seja de que grupo for!!! Não, nem de escravistas e nem de nazistas também. Mas... Obrigada Tarantino, por nos "vingar" em pensamento e proporcionar tanta discussão interessante sobre um tema tão sério e tão pouco explorado.

   Mas voltando... Christoph Waltz, que estava incrível (e muito irritante! Porém, tinha seu lado cômico...) em Bastardos Inglórios, não decepcionou os seus fãs agora. Pela atuação em Bastardos Inglórios ele arrastou todos os prêmios e, este ano acaba de ganhar outro Oscar para lembrar-se de como é produtivo trabalhar com Tarantino, rs. Já tá na hora de dar um personagem principal a ele, né não Taranta? ;)


   Há de se dizer que Kerry Washington é muito bonita... Eu nunca tinha assistido a um filme com ela (pelo menos não que eu lembre), então nem posso falar muito sobre sua qualidade como atriz, a não ser neste filme. E eu até achei a atuação dela boa, mas a personagem é fraca. Pela história da personagem, você é levado a esperar uma postura diferente da adotada por ela durante as cenas mais dramáticas, mas isso, claramente, não é culpa de Kerry. (É um problema de roteiro, mas quem sou eu pra falar, Tarantino acabou de ganhar um Oscar... ). Inclusive, na "comunidade feminista" vi as mulheres reclamando que essa personagem tão fraca é atípica para Tarantino, que tem até uma mulher como personagem principal em Kill Bill (logo dois filmes! Fora suas outras personagens fortes). Mas acho que isso não é porque ele agora acha que mulheres são fraquinhas ou qualquer coisa do tipo, não. Creio que tenha a ver com a temática faroeste mesmo, onde as mocinhas tinham que ser resgatadas, consoladas, etc. Mas não perdoo tão fácil também: ele que é tão subversivo poderia ter dado um jeito e colocado Broomhilda como uma personagem forte, sim, senhor!! :D

   Pessoal, a Trilha Sonora (cliquem!) é um espetáculo por si só! Sério, quem quiser me dar um presente diferente, pode dar o cd deste filme. Vou usá-lo bastante sempre que precisar fazer um trabalho de madrugada. As músicas são bem animadas, o fato do doido do Tarantino ter colocado "hip hop" acrescentou dinâmica (e dramaticidade) ao filme (e ao meu TCC, rs). Fora isso, tem músicas lindíssimas de faroestes italianos (os famosos "spaghetti"), incluindo algumas de autoria de Ennio Morricone ou Luis Bacalov (três faixas só deste último, sendo uma delas o tema principal, "Django", também utilizada no filme "Django" original italiano). O filme até concorreu ao Oscar de Melhor Edição de Som, mas perdeu!!! Tudo bem, eu ainda não vi os dois filmes que empataram nesta categoria ("007 - Operação Skyfall" e "A Hora Mais Escura"), mas acho difícil que sejam melhores...

MOMENTO LINKLOVE <3: Para quem quiser ver outras opiniões, aqui tem uma resenha que eu li e que está bem mais completa (em inglês).

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

"O amor natural" de Drummond

Faz cara de intelectual, mas tou ligada na sua...

   Eu adoro o Drummond. Há muito tempo. Mas eu não sou a fã número um de poesia. Eu sei, eu sei! Horrível isso. Já tentei, gente. Já li um pouquinho de diferentes autores. Mas, em geral, não é para mim! Posso até depois escrever sobre os poetas de quem gosto, vai que as outras pessoas que têm resistência com poesia gostam dos mesmos, né?
  Então, eu sou fãzona, mas gosto mesmo das crônicas. Daí eu peguei um livro do meu pai, que é fã dele como cronista E poeta. Chama-se "O amor natural", um livro de poemas eróticos. Eu já li vários poemas políticos ou líricos dele, vai que vendo outra faceta eu mudava de idéia... Pessoal! Drummooond!! O que é aquilo, hein? Não vou nem comentar a minha opinião sobre as poesias deste livro porque eu gosto de Drummond e gosto de gostar dele, rs.


A capa do livro aqui de casa.


Tá booom, eu dou a minha mais sincera opinião. Achei quase todas pornografia barata. É isso mesmo! Sinto muito, Drummond, mas é o que eu pensei, oras. E nem resmungue porque este é o meu blog. (Mas os caros leitores podem resmungar nos comentários!) Tem até algumas minimamente inspiradas, mas da maioria eu decididamente não gosto.
 Mas eu sou uma pessoa Copo-Meio-Cheio e trouxe para vocês a melhor poesia que eu encontrei no livro. É, nem todas eram tão ruins... Mas a maioria era! 

 OH MINHA SENHORA Ó MINHA SENHORA
"Oh minha senhora ó minha senhora oh não se incomode senhora minha não faça isso eu lhe peço eu lhe suplico por Deus nosso redentor minha senhora não dê importância a um simples mortal vagabando como eu que nem mereço a glória de quanto mais de... não não não minha senhora não me desabotoe a braguilha não precisa também se despir o que é isso é verdadeiramente fora de normas e eu não estou absolutamente preparado para semelhante emoção ou comoção sei lá minha senhora nem sei mais o que digo eu disse alguma coisa? sinto-me sem palavras sem fôlego sem saliva para molhar a língua e ensaiar um discurso coerente na linha do desejo sinto-me desamparado do Divino Espírito Santo minha senhora eu eu eu ó minha senh... esses seios são seus ou é uma aparição e esses pelos essa nád... tanta nudez me deixa naufragado me mata me pulveriza louvado bendito seja Deus é o fim do mundo desabando no meu fim eu eu..."

   Vixe, deu muito trabalho copiar isso por causa da falta de pontuação. Essa poesia eu achei realmente criativa, não é vulgar e é até engraçada. Engraçado que o prefaciador (Affonso Romano de Sant'Anna, alguém conhece alguma coisa dele?) adivinhou que leitores como eu não iam gostar muito: "'Àqueles que se habituaram a ler suas crônicas ironicamente suaves e a tê-lo como o velho poeta meio tímido e simpático, este livro pode incomodar. (...) Para esses o livro poderá parecer pornográfico." Seu Affonso, o senhor me adivinhou!

Capa da terceira edição. Acho que era da primeira também. 

Quem mais ama o Drummond? Que faceta vocês mais apreciam? Gostam de poesia? E de poesia erótica? Consideram isso uma resenha? rs Se abram!

terça-feira, 18 de setembro de 2012

"A delicadeza" de David Foenkinos

  Durante a minha viagem para Brasília para participar do Estágio-Visita da Câmara dos Deputados (sobre o qual eu pretendo falar mais em outro post), eu fiquei com uma sinusite fortíssima que me deixava de cama quando eu não estava nas atividades previstas ou preenchendo o diário de campo (relatório). Vejam bem: eu sou recifense, estou bastante acostumada à umidade. Brasília estava passando pelo período mais seco em não sei quanto tempo, a umidade estava cerca de 10% e já era a segunda semana que eu estava tendo que enfrentar isso. Ainda por cima eu estou tomando um remédio para acne (Roacutan) que piora tudo, do meu humor à hidratação da minha pele.

  Isso tudo para dizer que eu tive tempo de ler nesta semana do Estágio-Visita um livro que adorei: "A Delicadeza". Ele não é incrível e nem um livro que todo mundo precise ler, mas é doce. Daria uma nota entre 7,5 e 8 para ele. É um ótimo livro para quem está cansado, por exemplo, pois ele tem toda uma leveza relaxante. E essa leveza poderia ser bobinha, mas, por incrível que pareça o livro é um drama. Sim, um drama! Conta a história de uma moça que tenta refazer a sua vida depois de perder o marido por quem era bastante apaixonada. Ele é, exatamente o que o nome sugere: delicado.
  Durante a leitura, eu anotei as duas passagens (entre outras muito bonitas) que mais me chamaram a atenção.Elas não contêm spoilers. Foram:
  1. "Talvez haja uma espécie de ditadura das coisas concretas, que contraria permanentemente as vocações." Gente! Isso é genial! hahaha Isso traduz a decepção de todas aquelas pessoas que gostariam de ser brilhantes escritoras e passam seus dias em entediantes trabalhos burocráticos. A burocracia consegue ser bem concreta...
  2. "O sentimento amoroso é o sentimento que mais culpa transmite. Acabamos por achar que todas as feridas do outro foram provocadas por nós." Quem nunca? rs.
 O título original do livro é "La Délicatesse" (quase uma padaria. haahah como eu sou engraçada!...) e o autor se chama David Foenkinos. O cara estudou Letras na Sorbonne e tem mais uns três livros publicados em português, todos pela Rocco. Ele é bem fininho, tem só 191 páginas e a leitura é bem fluida, entre os capítulos da trama tem outros com listas sobre temas "relevantes" ao contexto. Este livro também inspirou uma obra de arte da humanidade: minha seção de "Definições do dia" aqui no blog, hahaha (ironia).

  Para quem quiser comprá-lo: dei uma pesquisadinha no preço e eles estão bem parecidos. O mais camarada que encontrei foi o da Livraria Saraiva (clique), mas ele parece ser promocional (ou seja, passa). No Submarino (clique) está um pouco mais caro, mas esse parece ser o preço que eles mantêm.

O FILME

O cartaz original.

 O livro foi adaptado para o cinema com a Audrey Tautou no papel de Nathalie, a personagem principal. Esse cartaz é liiindo (porque ela é linda, meiga...)! Fiquei doida para assistir ao filme depois de ler o livro. Alguém aqui já viu o filme ou também leu o livro? Gostaram?




{Observação: acima está o trailer do filme. Estou avisando porque pode não aparecer no navegador de alguém.}